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A biografia da Rainha Vitória, de Inglaterra, por um seu contemporâneo, o historiador Lytton Strachey (1880-1932), que realça a “enorme energia” e a “grande força de vontade” da monarca, é publicada pela primeira vez em português.

A biografia foi editada, originalmente, em 1921, em Londres, 20 anos após a morte da soberana que manteve o cetro durante 64 anos, de 1837 a 1901.
Para a escritora Virginia Woolf (1882-1941), num comentário sobre a biografia régia, “a ‘Rainha Vitória’ de Lytton Strachey, será a Rainha Vitória; as outras versões murcharão e desaparecerão”.
Gilles Lytton Strachey estudou na Universidade de Cambridge e fez parte do grupo de intelectuais denominado Bloomsbury, que se constituiu nas primeiras décadas do século XX, sob o mote “unidos pela arte”, e do qual fez também parte Virginia Woolf.
Nesta biografia, o autor terá sido o primeiro a usar elementos ficcionais para descrever as personagens, e usa na sua narrativa testemunhos que obteve na primeira pessoa, cita cartas ou relatos que lhe foram feitos por alguns dos intervenientes, discursos diretos de algumas personalidades e até partes de um diário de Vitória.
Sobre a cerimónia religiosa de crisma, Lytton Strachey cita um relato da ainda jovem Princesa Vitória, no qual escreveu: “Senti que a minha crisma foi um dos atos e acontecimentos mais importantes e solenes da minha vida; por isso acreditei que teria um grande efeito sobre o meu espírito”.
No mesmo texto, Vitória confessa-se “profundamente arrependida por tudo que tinha feito de errado” e, compromete-se doravante a “abraçar tudo o que for virtuoso e correto”, cita o autor.
Entre as suas fontes, o biógrafo cita o filósofo Robert Owen (1771-1858), que era amigo do pai de Vitória, Eduardo Augusto, Duque de Kent e Strathearn, que ajudara Owen a saldar as dívidas. O filósofo sentiu necessidade de referir a Lytton Strachey, “a preocupação aflita do espírito de Sua Alteza Real, o falecido Duque de Kent, de beneficiar, não uma classe, uma seita, um partido ou qualquer país em particular, mas o conjunto da raça humana, em toda a parte, no futuro”.
Lytton Strachey tem muito presente na sua narrativa os conceitos de “destino” e “predestinação” e relata, por exemplo, que uma cigana em Gibraltar leu a sina ao pai de Vitória, quarto filho do Rei Jorge III, que profetizou que “a sua única filha seria uma grande Rainha”.
Sobre o pai da soberana, quando esta nasceu, escreve Lytton Strachey que era um homem nos 50 anos “alto e vigoroso, corado, com sobrancelhas cerradas e uma calvície pronunciada no topo da cabeça”.
A biografia da monarca sob cuja titularidade a Inglaterra se tornou “um marco na industrialização, da expansão económica, e dos avanços tecnológicos e artísticos que influenciaram toda a civilização ocidental”, é traçada desde os antecedentes do casamento do pai com Vitória de Saxe-Coburgo-Saafeld, “de uma ramificação da grande Casa de Wettin, que governara desde o século XI a fronteira de Maissen, no Elba”, mas cujo ducado no século XIX fora capturado pelas tropas francesas do Imperador Napoleão I, deixando a família empobrecida, até ao dia da sua morte, a 22 de janeiro de 1901, passando pelo seu casamento com Alberto Saxe-Coburgo-Gotha, que “domou” o caráter rebelde da monarca, como escreve o historiador.
A rebeldia de Vitória evidenciara-se na infância, paralelamente, “à força do intelecto, capaz de assimilar informação facilmente” e que a germânica “madame Spath” mais tarde nobilitada como baronesa, ajudara a moldar, escreve Lytton Strachey.
Quando do anúncio da morte de Vitória, dois dias antes, “uma tristeza enorme desabou sobre o país. Era como se estivesse prestes a acontecer uma reversão do curso normal da natureza. A grande maioria dos seus súbditos não viveu nenhum ano sem que Vitória reinasse. Tornou-se uma parte indissolúvel de todo o sistema de vida, e parecia inconcebível que estivessem prestes a perdê-la”.
Vitória morreu a 22 de janeiro de 1910, rodeada da família, na casa Osborne, que mandara construir com Alberto, para a intimidade da família, na pequena ilha de Wight.

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