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O fadista André Vaz afirmou que o seu novo álbum, “Assim é o fado. Sempre Antigo. Sempre Novo”, reflete “aquilo que o fado é: alicerçando-se na tradição, renova-se na contemporaneidade quando é de novo interpretado”.

O CD reúne onze temas de um período entre 1961 e 2003, sendo “Depressa, vem depressa”, de Diogo Clemente, o único poema inédito, que interpreta numa composição de Manuel Mendes (1943-1966), que acompanhou o fadista quando este fez parte do elenco da casa de fados Marquês da Sé, em Lisboa, já encerrada.
Manuel Mendes disse-me uma vez que tinha uma música bonita e que ficava bem para mim, mas nunca ma entregou e, encontrei esta melodia dele, com uma outra letra, e como não me identificava, pedi ao Diogo Clemente, que é o produtor, um poema, e ele fez-me este ‘Depressa, Vem depressa’”, disse o fadista.
Todos os outros fados são de repertórios de fadistas como Manuel de Almeida, Carlos Ramos, Fernando Maurício, Maria da Fé ou Manuel Fernandes, e resulta de uma pesquisa que André Vaz fez.
“Este disco é fruto de uma pesquisa que fiz. Nos finais de 2014 estava a ouvir coisas antigas, em casa, e ouvi dois temas que achei incríveis e fiquei estupefacto, de ninguém os cantar, e foi o mote par este álbum. Pedi a amigos mais discos, comprei outros, e ouvi um a um, e fiz uma seleção, que constitui o alinhamento”, disse o fadista à agência Lusa, cita o Notícias ao Minuto.
Para André Vaz, “o fado é antigo, porque se alicerça na tradição, e é sempre novo cada vez que é cantado, pois, renova-se ao acrescentar-se-lhe uma centelha de contemporaneidade”, daí a escolha do título do álbum.
Este é o quarto álbum do fadista de 33 anos, que gravou pela primeira vez aos nove anos, depois de ter vencido a Grande Noite do Fado de Lisboa, realizada no Pavilhão dos Desportos-Carlos Lopes, em 1993. Aos 13 anos gravou o segundo álbum, seguindo-se “um na fase da adolescência”, quando começou a trabalhar numa casa de fados, em Lisboa.
“Nada tem a ver com este disco, que reflete um André mais maduro, mais experiente e é isto que quero apresentar ao público”, sublinhou.

 

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Neste CD, o fadista é acompanhado pelos músicos Diogo Clemente (viola), Ângelo Freire (guitarra portuguesa) e Marino de Freitas (viola baixo).
André Vaz, com 24 anos de carreira, já com uma passagem pelo cinema, graças a um convite de Manoel de Oliveira (1908-2015) realçou que “é no ambiente tradicional” que se sente “melhor”, não descurando outras possibilidades de acompanhamento no futuro.
"Fazer este CD foi também um desafio, numa altura em que surgem outros instrumentos a acompanhar o fado, como a bateria ou percussões. Quis gravar apenas à guitarra e à viola", realçou.
A escolha pelo fado foi “intuitiva”, disse, recordando que quando viajava de férias para o Norte, pelos oito anos, o pai colocava uma cassete de Fernando Farinha (1928-1988), e “pedia-lhe sempre para voltar a colocar, e quando terminaram as férias sabia já três fados de cor”.
O passo seguinte foi apresentar-se numa tarde de fado amador, na margem sul do rio Tejo, e tomou-lhe o gosto que dura até hoje.
Essa atuação, recordou, “correu bem, pois tinha já uma certa noção rítmica, era minimamente afinado, tinha compasso” e começou a pedir para ir cantar, pois “tornou-se uma paixão”.
André Vaz, nascido no bairro lisboeta de Alcântara, afirmou que se reconhece nesta canção urbana, e daí, anos mais tarde, ter começado a cantar nas casas de fado que apontou como “autênticas escolas, pelo convívio com os músicos e os fadistas”. Atualmente canta no espaço “Fado in Chiado” e no “Fado em Si”.
Como referências fadistas aponta Fernando Farinha, Fernando Maurício, Manuel Fernandes, Tristão da Silva, Manuel de Almeida, Carlos Zel, e também vozes femininas como Amália Rodrigues, Maria Teresa de Noronha, Maria José da Guia, Beatriz da Conceição e Fernanda Maria, entre outros.
Dos onze temas, o registo mais antigo é de 1961, “Não Vale a Pena” (João Nobre), e o mais recente, de 2006, “Umas Quadras de Saudade” (Fernando Peres/Georgino de Sousa).
Sobre este tema, o fadista aponta a sua criação “para muito mais cedo pelo seu contexto poético, mas esta é a data de registo oficial na Sociedade Portuguesa de Autores.
Outros temas são “Coração, se já Morreste” (José Luís Gordo), “Não Volto a Fazer as Pazes” (Joaquim Pimentel/Jorge Barradas), “Última Carta” (José Galhardo/J. Nobre) e “Tarde ou Cedo” (Jerónimo Bragança/Nóbrega e Sousa).
Este disco marca o regresso de André Vaz aos estúdios de gravação, depois de dez anos sem gravar, e um dos prazeres que afirmou ter tido foi “recuperar estas letras, que têm uma linguagem fácil de entender, como hoje não há, e estarem tão próximas da musicalidade fadista”.

Fotos: AV/FMS

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