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O encenador Filipe La Féria afirmou à imprensa que leva à cena a peça “As árvores morrem de pé”, de Alejandro Casona, numa produção que lhe leva “a alma e o coração”, mas sem revelar o orçamento.
O encenador realçou que não tem qualquer ajuda do Estado, “apenas uma pequena ajuda da Fundação mutualista Montepio, que dá para os cartazes”, sem revelar outras fontes de investimento.
Os atores, “alguns receberam metade do ordenado e outros só começam a receber quando a peça estrear”, disse o encenador que revelou que muitos dos adereços de cena, como móveis ou candeeiros, vieram da sua residência.
A peça é protagonizada por Eunice Muñoz, no papel de “avó”, que alterna com Manuela Maria, e Ruy de Carvalho, que alterna com João d’Ávila, sendo o restante elenco constituído por Carlos Paulo, Maria João Abreu, Hugo Rendas, Ricardo Castro, Paula Fonseca, Rosa Areia, João Duarte Costa, Patrícia Resende, João Sá Coelho, Pedro Goulão e Francisco Magalhães.
A estreia da peça é com Manuela Maria e Ruy de Carvalho.
Para La Feria, encenar “As árvores morrem de pé” é a concretização de algo há muito projetado a três: por si e pelos atores Ruy de Carvalho e Eunice Muñoz.
Eunice Muñoz, que recentemente teve uma intervenção cirúrgica, afirmou hoje que “chegou a altura” de fazer a peça, apesar de a sua saúde “não ter estado muito brilhante”.
A atriz, de 88 anos, não sabe ainda quando subirá ao palco do Politeama, em Lisboa, mas prometeu que espera, “dentro de pouco tempo, poder estrear no Politeama esta peça”.
“Tenho de estar em casa mais tempo a descansar, mas, de qualquer modo, tenho muita satisfação em estar aqui, em ser dirigida por ele [Filipe La Féria], e ter estes colegas lindíssimos, em saber perfeitamente que a Manuela [Maria] vai interpretar maravilhosamente este papel”.
Manuela Maria, por seu turno, afirmou que alternar o papel com “a grande Eunice”, que tanto admira, e que considera ser “a nossa melhor atriz”, “é um atrevimento”.
“Peço-lhe imensa desculpa, mas acontece assim na nossa profissão e é uma grande honra, é um atrevimento e peço desculpa pelo atrevimento”, disse hoje Manuela Maria, de 81 anos.
Eunice Muñoz afirmou que tinha “muitas saudades desta peça”, que viu muitas vezes interpretada por Palmira Bastos (1875-1967), que apontou como sua mestra.
“Ela [Palmira Bastos], aos 80 anos, sabia os papéis antes de nós, e dizia muito surpreendida: ‘Então vocês ainda não sabem os papéis? Mas se já sei…’”.
“Fui várias vezes dirigida por ela, era uma mulher encantadora e muito talentosa”, rematou.
La Féria recordou igualmente a sua memória de menino, de ter visto Palmira Bastos protagonizar esta peça, no demolido Teatro Avenida, em Lisboa, e quando foi transmitida pela RTP, em 1966, “em que o país parou, do Minho a Vila Real de Santo António”.
João d’Ávila recordou que foi ela a sua “madrinha de palco”, pois foi a seu lado que se estreou no teatro, com quem muito aprendeu.
Na encenação de La Féria, João d’Ávila alterna o papel com Ruy de Carvalho, que se referiu à peça como “uma história maravilhosa”.
“É uma história saborosa que sabe bem a um ator representar, e a uma companhia. Uma peça que traz alguns conselhos. Ajuda-nos a viver melhor e a saber que alguém se preocupa connosco, assim como não se preocupam com o teatro em Portugal. Eu gostava que se preocupassem com o teatro em Portugal, como nós nos preocupamos com as peças, e com o serviço público que fazemos”, disse Ruy de Carvalho, que completará 90 anos, dentro de sete meses.
“Estou a dizer isto porque me magoa muito pensar que uma companhia como esta não tem o apoio do Estado. Não têm o orgulho de terem uma companhia como esta a funcionar em Portugal, e isso toca-me profundamente. Há pouco orgulho na qualidade dos portugueses, e sobretudo naqueles que praticam a cultura”, justificou o veterano ator, segundo o Notícias ao Minuto.
Referindo-se ao dramaturgo espanhol Alejandro Casona (1903-1965), Filipe La Féria afirmou que era “um filósofo, com um teatro poético tal como [Federico García] Lorca, e com uma grande influência de [Luigi] Pirandello”, fazendo “um teatro dentro do teatro”.

 

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 “A peça, embora seja compreensível e tangencial a todo o público, é uma peça com uma grande profundidade e estrutura, porque, de facto, o Casona devia ser um grande encenador, pois sabe todos os cordelinhos, toda a técnica do teatro, e o público vibra, pois tanto é dramático, como é cómico, como tem todo o ‘suspense’ que uma peça de teatro deve ter”, afirmou La Féria.

O encenador realçou ainda o facto de “as personagens serem muito bem construídas”, e profetizou que “vão sempre apaixonar gerações e gerações de atores, como as [personagens de] Tennessee Williams". "São feitas com uma estrutura tão forte, que os atores vão sempre apaixonar-se por este autor [Alejandro Casona]”.
La Feria defendeu a importância dos atores e do autor, pelo que considerou que esta peça irá ser sempre revisitada, e afirmou: “O teatro pode ser feito sem encenador, pode ser feito sem cenários, sem dinheiro, como é o meu caso, mas não pode ser feito sem atores”.

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