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Sítio dos Perdigões - Herdade do Esporão

 

O arqueólogo Miguel Lago defendeu que “a arqueologia só faz sentido” quando partilhada com as comunidades, e “é um dever” abrir o espaço de escavações às comunidades.
“A arqueologia e o resultado dos projetos em arqueologia só fazem sentido, em última instância, quando são partilhados e quando há um retorno social daquilo que vai sendo descoberto e apreendido”, defendeu Miguel Lago.
O arqueólogo falava à agência Lusa a propósito do “dia aberto” à comunidade que, anualmente, se realiza às escavações que no sítio dos Perdigões, na Herdade do Esporão, a quatro quilómetros de Reguengos de Monsaraz.

 

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Sítio dos Perdigões - Herdade do Esporão

Abrir o espaço de escavação arqueológica às populações “é uma obrigação por parte das equipas de arqueologia, é mesmo um dever, e é fundamental em termos de sensibilização, sobretudo para as comunidades locais, mas não só, é importante que as pessoas, cada vez mais, entendam que este tipo de projetos é útil, permite-lhes, a elas próprias, conhecer o seu passado, perceber porque é que hoje estamos aqui”. 

Para o arqueólogo, “é importante que as pessoas cada vez mais lutem, nomeadamente nos seus territórios, por aquilo que é a salvaguarda do seu património”.
O sítio dos Perdigões está a ser escavado e estudado há 20 anos, e há mais de cinco mil anos, seria um importante santuário para onde convergiam populações vindas de várias regiões, para aí realizar rituais ligados à morte, ao culto dos antepassados e ao mundo simbólico, explicou o arqueólogo Miguel Lago, diretor da Era-Arqueologia, empresa responsável pelo projeto.

O complexo dos Perdigões, segundo o arqueólogo, terá sido um importante santuário para onde convergiam populações, vindas de várias regiões, para aí realizar rituais ligados à morte, ao culto dos antepassados e ao mundo simbólico, o que permite encontrar materiais de várias partes geográficas. Um dos materiais que tem surgido é o marfim de dente de elefante africano, nomeadamente, em ídolos antropomórficos, esculturas de animais e copos talhados.

Nesta época, entre 3.500 e 2.000 antes de Cristo, ainda existiam elefantes a sul do atual reino de Marrocos, explicou.

“Os dentes terão chegado inteiros à Europa, e supomos que os artefactos não foram produzidos em África, mas talvez até tenham sido mesmo nos Perdigões, pois há rodelas de marfim inteiras, mas não há certeza”. Por outro lado, foram encontrados restos mortais de “indivíduos que não eram do atual território de Reguengos de Monsaraz, mas de regiões no atual território espanhol, ou até da Península de Lisboa”, adiantou o arqueólogo.

 

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A hipótese de santuário ou espaço de rituais ligados aos solstícios de verão e inverno torna-se atualmente mais sólida, não sendo possível determinar, explicou, se este espaço tinha uma ocupação permanente.

Por exemplo, disse, há “poucos restos relacionados com a prática da moagem”, relativamente ao que sucede noutros sítios arqueológicos onde houve ocupação permanente.

O sítio dos Perdigões, localizado na herdade do Esporão, a quatro quilómetros de Reguengos de Monsaraz, é um complexo pré-histórico, na transição do período neolítico para o calcolítico, que terá tido a sua ocupação durante cerca de 1.500 anos, sensivelmente entre 3.500 e 2.000 antes de Cristo, explicou Miguel Lago.

“A arquitetura dos Perdigões está claramente orientada tendo em conta fatores astronómicos, nomeadamente o nascer e o pôr do sol nos solstícios, mas é hoje cada vez mais entendido como um lugar de reunião, para onde confluíam peregrinações, um santuário, um local de peregrinação de romaria, em linguagem contemporânea”.

O sítio dos Perdigões terá tido origem megalítica, apontou o aqueólogo, referindo que, "ao lado dos Perdigões, é conhecido, desde a década de 1960, um recinto megalítico, com vários menires".

"Talvez o primeiro recinto que foi construído nos Perdigões tenha sido também megalítico, e foi pertinente para aquelas comunidades ter-se tornado num espaço de práticas cerimoniais”.

Atualmente, a área arqueológica é de cerca de 17 hectares. Nos 20 anos de campanhas que se realizaram, atingiu-se cerca de dois por cento do total. As campanhas arqueológicas têm cerca de seis semanas por ano.

 Fotos: Era Arqueologia/FMS

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