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Amália - A Ressurreição.jpg

 

O livro “Amália. A Ressureição", de Fernando Dacosta, revela factos pouco conhecidos da vida da artista, como o ter sido “vigiada” por diferentes serviços secretos.
O autor desfia histórias a que assistiu, em que foi interveniente, que lhe contaram, ou que foram testemunhadas publicamente, como um concerto no Coliseu dos Recreios, após o 25 de Abril de 1974, que juntou a fadista e José Afonso (1929-1987).
“No final, ela espicaça Zeca Afonso: ‘Então, acha que eu canto bem?’. Este olha-a surpreso e, depois de um curto silêncio, exclama: ‘Se a Amália não canta bem, quem canta bem neste país?’”, escreve Fernando Dacosta.
Amália Rodrigues “fez questão de ir a um jantar de homenagem [o último] prestado pelos amigos a Zeca Afonso”, conta Dacosta, segundo o qual “os dois reconheciam a estatura que tinham no mundo da cultura”.
Dacosta, sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa, conta outros factos, nomeadamente que serviços secretos como a PIDE, KGB, CIA e a Mossad "vigiaram" Amália Rodrigues (1920-1999), e o então Presidente do Conselho de Ministros, Oliveira Salazar, “receava vê-la passar-se para a oposição”.
Outro facto narrado por Dacosta, foi quando a fadista enfrentou o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, e recusou uma receção que este queria oferecer em sua honra.
Noutro ponto geográfico, em Beirute, “guerrilheiros palestinianos cancelaram um atentado, porque Amália atuava na cidade". "A criadora de "Gaivota" alcançou grande sucesso neste país, tendo sido distinguida com o Cedro de Ouro, a mais alta condecoração libanesa".
Outra revelação: a irmã Lúcia, uma das videntes de Fátima, escreveu à fadista, a “pedir para não cantar ‘O Cochicho da Menina’”.
A obra divide-se em três partes: “A Sagração”, “A Inquietação” e “A Ressureição” -, cada uma constituída por capítulos, que contam histórias ligadas ao percurso da criadora de “Povo que Lavas no Rio”.
O livro inclui várias fotografias de Amália, uma delas, no Brejão, no Baixo Alentejo, na véspera de a fadista ter morrido.
Uma nota da editora aponta este livro como “uma viagem pela vida de uma das mais marcantes artistas do século XX, revelando memórias, encontros, desencontros, episódios menos conhecidos de uma fascinante carreira internacional”.
A obra, com a chancela da Casa das Letras, foi apresentada numa tertúlia moderada pelo autor, na qual participaram “pessoas que acompanharam Amália em vida, ou que se encontram fortemente ligadas à sua obra", como disse à agência Lusa fonte editorial.
Na tertúlia participaram, segundo a mesma fonte, Noel Cunha, amigo de Amália, Leonilde Henriques e Estrela Carvas, assistentes pessoais da artista, o jornalista António Valdemar, o investigador Frederico Santiago, o ex-diretor-geral da EMI-Valentim de Carvalho, David Ferreira, e o ensaísta Luís Machado.

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