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O Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, acolhe 210 peças que contam a história da Lusitânia Romana, algumas raras e nunca vistas pelo público, provenientes de 14 instituições portuguesas e cinco espanholas.

A exposição intitula-se “Lusitânia Romana, origem de dois povos” e estará patente até 30 de junho, naquele museu em belém. Das 210 peças expostas, 81 são provenientes de Portugal e as restantes 129 de Espanha.
Entre as várias peças expostas em dez núcleos, os responsáveis da mostra realçaram uma inscrição em pedra em carateres latinos, segundo a fonética lusitana, originária de Arronches, que abre a exposição, e a Tábua de Vipasca, proveniente de Aljustrel, um dos dois únicos regulamentos de extração mineira, do mundo romano, conhecidos - o outro encontra-se no Museu Geológico, do Laboratório Nacional de Energia e Geologia.

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Como explicou Carlos Fabião, um dos comissários da exposição, os termos legislativos da exploração mineira no tempo romano “era muito idêntica à atual, o subsolo é propriedade do Estado, que estabelecia concessões para a sua exploração".

“Lusitânia Romana, origem de dois povos” esteve patente, no ano passado, no Museu de Arte Romana, em Mérida, e em julho apresentar-se-á no Museu Nacional Arqueológico, em Madrid.
A exposição em Lisboa inclui algumas peças que não foram apresentadas em Mérida, nomeadamente um sarcófago do século III antes de Cristo, decorado com as estações do ano e o pisar da uva, encontrado em Reguengos de Monsaraz, que foi restaurado e se encontra em condições de expor, disse o diretor do museu, António Carvalho, outro dos comissários da mostra.
Esta exposição recebeu, no ano passado, quando esteve patente em Mérida, o Prémio Internacional "Genio Protector da Colonia Augusta Emerita", atribuído pela Fundação de Estudos Romanos e pelo Grupo de Amigos do Museo Nacional de Arte Romano de Mérida, em Espanha.
Jose Maria Álvarez Martínez, o terceiro comissário da exposição, que se afirmou como “um lusitano convicto e confesso”, realçou o facto de a mostra traçar uma história sem fronteiras, “a Lusitânia entendida na sua totalidade, tal como foi traçada no tempo do Imperador Augusto”.
O investigador realçou, entre as peças expostas, uma estela que refere Cornelius Bocchus, que foi um dos homens mais importantes da Lusitânia, tendo sido encarregado de obras públicas durante cinco anos, o que não acontecia habitualmente, e sacerdote do culto do Imperador.
A estela (monumento em pedra com inscrição) revela a oferta de um relógio (de sol) à casa de Papiria (uma família influente), e a cópia oficial do Disco de Teodósio, em prata, último Imperador de Roma, em que está representada a família imperial, com os seus filhos Horácio e Arcádio, que dividiram o império, após a sua morte, e ainda uma representação da fecundidade da terra. Nesta representação, o Imperador surge ladeado pela guarda germana e não os tradicionais centuriões.
A peça original, datada de 388 depois de Cristo, foi encontrada num campo de amendoeiras, nos arredores de Mérida e encontra-se na Real Academia de História, em Madrid, que a adquiriu na década de 1850, e de onde “nunca sai". "O seu custo, na época, paralisou as atividades da instituição durante um ano”, contou Álvarez Martínez.
A exposição foi pensada no sentido de estabelecer as mais diferentes ligações entre as peças, e contar a história de uma província, que, sendo a mais ocidental do império, participava na sua vida política e administrativa, conquistada pelos romanos, em 218 antes de Cristo, realçou António Carvalho.
Os lusitanos, apesar de adotarem usos e costumes romanos, mantiveram o culto de alguns dos seus deuses, nomeadamente de Endovélico, do qual se encontra na mostra um busto em mármore alentejano, material aliás maioritariamente utilizado nas obras de arte e nos retratos escultórios da província.
Por outro lado, como testemunha uma das estelas patentes, os lusitanos ocuparam lugares na administração romana, como Quintus Iulius Maximus, que desempenhou funções na Sicília e em Narbonne, no sul da atual França.
A exposição, que encerra a Mostra Espanha 2015 em Lisboa, ensaia uma inovação - audioguias por infravermelhos, que apresentam textos em espanhol, português e inglês, de modo a “fundir os conteúdos científicos do catálogo com a leitura das peças de uma forma acessível a todos os públicos”, explicou António Carvalho. Esta nova tecnologia foi desenvolvida por uma “startup” de Braga.

Fotos: MNA/FMS

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