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Eduardo Lourenço afirma, numa entrevista a José Jorge Letria, que a Europa “não tem identidade”, e argumenta que o velho continente “sempre viveu, do ponto de vista histórico, uma espécie de guerra civil permanente”.

A entrevista foi efetuada em fevereiro de 2011, nas vésperas de Eduardo Lourenço receber o Prémio Vida e Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores, e editada agora no livro “Eduardo Lourenço: A História é a suprema ficção”, pela Guerra & Paz.

O filósofo, questionado sobre o que “irá restar da nossa Europa, além do pensamento, da História e da memória”, recorda o historiador Fernand Braudel, que falou dos “problemas de identidade” de França.

Todavia, afirma o filósofo, “quanto à Europa é pior, porque essa não tem identidade na ordem histórico-política das nações”.

“A Europa sempre viveu, do ponto de vista histórico, uma espécie de guerra civil permanente, com as nações umas contra as outras”, afirma o ensaísta, acrescentando que “a Europa está entre parêntesis na ordem política”.

Eduardo Lourenço argumenta que “a Europa viveu dividida em duas, viveu tutelada pelos Estados Unidos, [e] tornou-se Europa entre parêntesis, dividida entre uma coisa e outra”.

Esta foi uma temática à qual o ensaísta regressou em 2011, quando recebeu o Prémio Pessoa, tendo afirmado, numa conferência intitulada “A Identidade Europeia”, no Instituto de Defesa Nacional, em Lisboa, que, “de algum modo, pode dizer-se que a Europa não tem identidade, no sentido em que as Nações a têm". "Essa identidade é um projeto histórico, inventa-se a identidade, ela não é dada”.

Ao longo da entrevista agora publicada, Eduardo Lourenço reflete sobre várias temáticas, entre as quais a da história, que define como “a ficção das ficções”.

“A História não é outra coisa que não seja o que fazem os homens. Não há História fora do nosso próprio fazer. A História é a ficção das ficções”, afirma Eduardo Lourenço que afirma que adora a História, porque “é a suprema das ficções”.

Eduardo Lourenço, de 90 anos, foi distinguido o ano passado com o Prémio Jacinto do Prado Coelho, da Associação Portuguesa de Críticos Literários, pela obra "Tempo da música. Música do tempo".

Na ocasião, em declarações à agência Lusa, divulgadas pela imprensa, afirmou: “Este é um prémio fora do tempo. Já passei a linha vermelha da vida, estou noutra que não tem cor e cada vez terá menos”.

Considerado um dos maiores pensadores portugueses, Eduardo Lourenço nasceu em 1923, em São Pedro de Rio Seco, no distrito da Guarda, e embora resida em França desde os anos 1960, manteve sempre uma grande ligação a Portugal, refletindo sobre a sociedade portuguesa.

Em 2011, a Fundação Calouste Gulbenkian iniciou a publicação da sua obra completa, que conta, entre outros títulos, com “Heterodoxia I e II”, “Tempo e Poesia – À volta da literatura”, “O fascismo nunca existiu”, “Fernando, Rei da nossa Baviera”, sobre o universo de Fernando Pessoa, e “O labirinto da saudade”, que toma por subtítulo "Psicanálise mítica do destino português".

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