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António Victorino d’Almeida é o autor da mensagem da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) para Dia Internacional da Música, que se celebra no dia 01 de outibro, na qual afirma que o repertório musical mais apreciado corresponde a “nada”.

O maestro e compositor aborda “os diversos graus de qualidade [da música] que vão do bom ao muito bom, do ótimo ao genial”, e afirma que “não será tão desejável chafurdar numa pesquisa entre o mau e o muito mau, o péssimo e o horrendo”.

E eu estaria ainda tentado a citar o nada, que julgo ser um repertório cada vez mais promovido e mesmo apreciado, fenómeno que se reveste de uma lógica de mercado perfeitamente inatacável: os autores desse alegado nada podem desaparecer sem quaisquer problemas, de forma trágica ou prosaica, por falecimento ou entrada para a função pública, pois haverá sempre material em stock pronto a substituir o seu esforço criativo”, lê-se na mensagem da SPA.

Antes de mais nada”, escreve o ex-adido cultural de Portugal, em Viena, é “necessário que se levante o problema do subjetivismo que terá infalivelmente que presidir a um julgamento da qualidade” e questiona: “Haverá, com efeito, um critério rigoroso que possa de algum modo garantir que esta música é boa ou má, transcendente ou… até nada?!”.

O compositor defende que “será correto que se valorize a harmonia de um trecho em que o acorde sobre a qual assenta todo o discurso musical, a chamada tónica, apenas se desloca para o acorde do quinto grau, a chamada dominante, regressando logo de seguida ao ponto de partida, depois de um curta e prudente passagem pela subdominante, que fica quatro notas acima”.

Ao longo da mensagem, o autor do "Fado do Campo Grande", desmonta os diversos conceitos em torno da música e a dado passo afirma: “eu nunca atribuí ao adjetivo ligeiro um sentido pejorativo, pois também sempre considerei que comer uma refeição ligeira não significa comer mal”.

A terminar, Victorino d’Almeida refere que “a sociedade portuguesa ignora quase completamente todo um vastíssimo património de obras de arte geniais”.

É possível viver sem se conhecer nenhuma peça de Shakespeare, de Tchekov, muito confundido com Tchaikowsky em meios alegadamente mais cultos, pois os ignorantes puros nunca ouviram falar de tal gente, de Brecht ou de Samwel Becket”, questiona.

É possível, em suma, viver sem o Belo?”, interroga o maestro para responder ele próprio: “Claro que é possível! É evidente que é possível, pois as pessoas podem inclusivamente viver castradas e encontrar formas mais ou menos divertidas de passar o tempo, […] sem dúvida que é possível viver assim. Mas não é a mesma coisa…”.

A mensagem pode ser lida na íntegra em http://www.spautores.pt/destaques/dia-internacional-da-musica-1-de-outubro.


Foto: SPA

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