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A monografia da freguesia lisboeta do Sacramento, de Paulo Figueiredo, que fixa a memória desta freguesia que é extinta este ano, passando a integrar a de Santa Maria Maior, é apresentada no dia 25 de Setembro, às 20:30, no Convento do Carmo.

Nesta freguesia habitou no século XIII o almirante genovês Manuel Pessanha, que serviu D. Dinis, estruturando a Marinha Portuguesa, cujo nome figura hoje na toponímia, a travessa do Pessanha, lateral á igreja do Santíssimo Sacramneto.

A obra, intitulada “Sacramento”, é editada pela autarquia, inclui fotografias inéditas e e divide-se em quatro capítulos: "Um geral, sobre o Chiado, outro dedicado aos monumentos públicos e privados, um relativo à parte social do comércio e convívio, com destaque para os poetas, e um quarto sobre os censos", registando "imagens inéditas".

Paulo Figueiredo, que já escreveu monografias sobre as freguesias lisboetas de Alvalade e das Mercês, lembrou um facto marcante para a História do Sacramento: "O país tremeu, quando [no 25 de Abril de 1974] Salgueiro Maia fez um ultimato a Marcello Caetano, que se refugiara no quartel do Carmo, nesta freguesia".

"O Sacramento é parte do Chiado e conta uma história elegante, como política e económica", disse o historiador que lamenta que a monografia "seja parcial", pois será apenas "o lado do Chiado que administrativamente pertence à atual Freguesia do Sacramento", esclareceu, não sendo tratado "o outro lado" que pertence à Freguesia dos Mártires.

Em princípios do século XIX, o Chiado "era já o centro do mundo culto e elegante de Lisboa". Conventos, palácios e outros edifícios "de interesse artístico e histórico" faziam o dia-a-dia da freguesia, "que urge apreciar nas suas vertentes histórica e cultural, além do corre-corre diário".

"É no século XIX - salientou o autor - que surgem os hotéis, cafés, restaurantes, confeitarias e pastelarias que ganharam notoriedade, como O Tavares (1783), O Central, o Café do Tiago, o do Pedro, o Baptista, o Café Concerto à Trindade (1857), a Brasileira do Chiado (1905), o Café Chiado, o Hotel Braganza, o Universal, o Aliança, o Europa, as pastelarias Ferrari, Baltresqui, Garrett, Marques e Bénard. Um bairro onde - rematou Paulo Figueiredo - sempre conviveram a política, a literatura, a arte, a música, o teatro, a moda e a gastronomia".

Entre os palácios, refiram-se o dos marqueses de Niza e o dos de Marialva, o do duque de Lafões, o dos condes de Cocolim e o dos de Valadares.

Quanto ao património religioso, destacam-se a Igreja do Sacramento, a de Nossa Senhora do Loreto ou a "italiana", os conventos do Carmo, fundado por Nun'Álvares Pereira, e o da Trindade - "de que pouco resta do original".

A vertente comercial ocupa parte significativa da obra, "dando atenção a um factor que constitui parte essencial da memória daquela zona", afirmou o autor.

O outrora denominado "bairro da Pedreira" viu também "despontar a vida artística" - o setecentista Teatro de Ópera, um Pátio de Comédias, a Academia da Trindade -, e, em 1864, surgiu o Teatro do Ginásio, onde subiu ao palco a primeira revista à portuguesa, "Fossilismo e Progresso". Três anos mais tarde, foi fundado o Teatro da Trindade.

A freguesia do Sacramento remonta a 1584, com o nome de Trindade devido ao convento existente - da Santíssima Trindade e da Remissão dos Cativos -, e passa ao nome atual em 1666. Três anos depois do terramoto de 1755, "que lhe trouxe significativas alterações de traçado", a freguesia registava apenas 137 fogos, e "resistiam alguns pontos de ruralidade de que hoje se conserva a toponímia, como a rua da Oliveira ao Carmo".

A apresentação da obra, no dia 25 de setmbro às 20:30, será feita pela atual presidente da Junta da Freguesia, Maria Filomena Lobo, e pelo editor Jorge Silva, numa cerimónia que conta com a presença do autor, e do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, entre outras personalidades.

Paulo Figueredo é autor de várias obras, entre as quais o primeiro "Dicionário de Termos Arqueológicos", e está atualmente a trabalhar noutro projeto relacionado com a capital.

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