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Uma edição celebrativa dos 150 anos da publicação do romance “As Pupilas do Senhor Reitor”, de Júlio Dinis, ilustrada com reproduções de 70 aguarelas de Roque Gameiro, é publicada no dia 04 de janeiro, anunciou fonte editorial.

Este é um dos romances mais conhecidos da literatura portuguesa”, realçou à agência Lusa fonte da Guerra e Paz Editores, que chancela a obra.
O romance conta a história de um jovem médico que regressa à terra natal, onde o espera Margarida, esperançada num enlace, mas o clínico, Daniel de seu nome, alterou o comportamento, e tornou-se mais urbano.
“Este é um romance de um certo Portugal, um Portugal talvez mítico, mas sem dúvida eterno. Todos sonhamos com este país: está em nós. Cantam-se cantigas à desgarrada, fazem-se desfolhadas e encontra-se o milho-rei”, referiu a mesma fonte.
“Vive-se numa aldeia onde todos se conhecem e todos conhecem a vida de todos. Temos padres bondosos, médicos diligentes e vizinhas de língua viperina. Há uma história de amor, aliás duas, há gente (ligeiramente) matreira, há conflito e espingardas. Mas no fim tudo se resolve com um brinde e um sorriso”, disse a mesma fonte, que acrescentou: “É bucólico, é inocente, é admirável”.
A obra foi adaptada ao cinema em 1924, por Maurice Mariaud, em 1935, por Leitão de Barros, e em 1961 por Perdigão Queiroga. Em 1970 à televisão, no Brasil, pela TV Record, e em 1995, pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT).
Júlio Dinis é o pseudónimo literário do médico portuense Joaquim Guilherme Gomes Coelho (1839-1871). Quando terminou a licenciatura em Medicina, em 1861, o jovem médico padecia já de tuberculose, o que o levou a deixar o Porto, e começando a dedicar-se à escrita. Os primeiros textos surgiram em 1862, no Jornal do Porto. Em 1865 tornou-se professor na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde estudara. O romance “As Pupilas do Senhor Reitor” foi publicado em 1866, mas o médico foi também autor de outros romances que tiveram sucesso editorial, nomeadamente “Uma Família Inglesa” (1867), “A Morgadinha dos Canaviais” (1868), e “Os Fidalgos da Casa Mourisca” (1871).

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O romance “Memorial do Convento”, de José Saramago, tem uma nova edição, “especial e limitadíssima”, com ilustrações de João Abel Manta.

“O nascimento deste livro dava um pequeno romance. O editor José da Cruz Santos sonhou esta edição com José Saramago”, afirmou à agência Lusa fonte da Guerra e Paz, que chancela a obra, segundo o Notícias ao Minuto.
Numa carta enviada a José da Cruz Santos, Saramago escreveu: “Ter o João Abel Manta e o Carlos Reis connosco é um presente do céu, quando o havia. Só de pensar que vou ter um livro meu ilustrado pelo João Abel faz com que o pulso se me acelere”, citou a editora.
O “sonho” concretiza-se com esta edição, num livro de capa dura, com um formato de 16,5 centímetros de largura, por 24 de altura, com um reforço de lombada em tecido vermelho, incluindo 20 ilustrações inéditas de João Abel Manta a quatro cores, sendo duas das ilustrações reproduzidas em dípticos com 33 centímetros de largura, segundo a mesma fonte.
“Com guardas vermelhas e um fitilho, esta é uma edição raríssima, de apenas 500 exemplares, que não voltará a ser reimpressa”, reforçou a mesma fonte.
Para esta edição contribuíram várias personalidades e entidades, designadamente o editor José da Cruz Santos e a livraria Modo de Ler, que a cederam à Guerra e Paz, e ainda a Porto Editora, a Fundação Saramago e as herdeiras de José Saramago, que a autorizaram, e as autorizações concedidas por João Abel Manta e a sua filha, bem como pelo catedrático em Literatura Carlos Reis.
“Com a publicação da edição especial do ‘Memorial do Convento’, a Guerra e Paz fecha um ano que marcou uma profunda viragem inovadora nas suas linhas editoriais”, disse à Lusa a mesma fonte.
A primeira edição de "Memorial do Convento", cuja ação decorre nos inícios do século XVIII, em torno da construção do Convento-Palácio de Mafra, nos arredores de Lisboa, foi em outubro de 1982, pela Editorial Caminho.
A ação narrativa decorre no reinado de D. João V, com o país a receber as muitas riquezas do Brasil, e a ação da Inquisição que se endurecia, sendo protagonistas Baltasar, conhecido como Sete-Sóis, porque apenas conseguia ver à luz, e Blimunda, chamada de Sete-Luas, porque conseguia ver no escuro, graças ao dom da "ecovisão".
Este não é o primeiro romance que João Abel Manta ilustra. Em 1970 ilustrou "Dinossauro Excelentíssimo", de José Cardoso Pires.
João Abel Manta, de 88 anos, é autor de uma obra multifacetada, da arquitetura ao desenho, passando pela pintura e a caricatura.
Manta tem ainda obra sua nas artes gráficas, tapeçaria, cerâmica e mosaico.
Com Alberto Pessoa e Hernâni Gandra, foi um dos arquitetos responsáveis pelos projetos dos blocos habitacionais da avenida Infante Santo, em Lisboa, que lhe valeu o Prémio Municipal de Arquitectura, em 1957, e da Associação Académica de Coimbra, em 1959.
Em 1961 venceu o Prémio de Desenho na II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, com "O Ornitóptero".
Das suas atividades mais regulares, a par da arquitetura, foi o ‘cartoon’, que desenvolveu de 1945 a 1991, em variadas publicações.
O historiador João Medina considerou-o "o caso mais extraordinário do ‘cartoonismo’ luso do nosso século [século XX], só equiparável [ao] próprio Bordallo Pinheiro".
Em termos de arte pública, são de sua autoria os painéis da avenida Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e o desenho do pavimento da praça dos Restauradores, também na capital.
O artista fez ainda incursões no teatro, tendo assinado os cenários d'"A Relíquia", de Eça de Queiroz, e "O Processo", de Kafka, ambas encenadas por Artur Ramos e levadas à cena em 1970, pelo Grupo de Ação Teatral.

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