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A Associação Portuguesa dos Amigos do Fado (APAF) evoca, sob o lema “pioneirismo e inovação”, o seu 20.º aniversário, com uma sessão, no domingo, dia 30 de novembro, às 17:00, no Museu do Fado, em Lisboa, na qual participa o fadista António Rocha.

A APAF “esteve à frente do seu tempo e antecipou muitas das atividades sobre o género musical que hoje são correntes”, salientou à Lusa a presidente da associação, Julieta Estrela de Castro, que, no domingo, evocará “as cerca de 500 atividades” registadas ao longo destas duas décadas e que contaram com “a participação de mais de um milhar de personalidades, de fadistas e guitarristas a antropólogos, jornalistas, estudiosos, artistas plásticos e atores, entre outros”.
“Ao longo destes 20 anos, a associação colocou o fado no roteiro cultural da cidade de Lisboa, quando ninguém falava do fado nos seus aspetos históricos, culturais, literários e melódicos, e era marginalizado”, disse a fadista à Lusa citada pelo Correio da Manhã.
“Fomos vanguardistas na forma como apresentámos muitas das atividades, e pelos conteúdos divulgados”, realçou.
Entre as várias atividades, a responsável salientou as iniciativas, realizadas entre 1996 e 1997, que assinalaram os 150 anos da morte de Maria Severa, a celebração dos 200 anos do primeiro método para guitarra portuguesa, e as Jornadas de Fado, que se realizaram de 1997 a 2011, na extinta Fonoteca Municipal.
“Fomos os primeiros a chamar a atenção para a efeméride [150 anos da morte de Maria Severa] sobre a qual desenvolvemos um projeto que incluiu debates, uma retrospetiva cinematográfica, dois espetáculos de fado, duas exposições ícono-bibliográficas, e ainda a apresentação de uma biografia da fadista, em forma de diálogo com fados”, recordou.
Nestas iniciativas participaram, entre outros, o escultor Martins Correia, o divulgador musical Ruben de Carvalho, os olissipógrafos Appio de Sottomayor e Eduardo Sucena, a atriz Alina Vaz, o estudioso Luís de Castro, o jornalista Pereira Alves e os fadistas Lenita Gentil, Argentina Santos, Vasco Rafael, Luís Almada, Camané e Fernando Maurício.

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Tiago Torres da Silva e Julieta Estrela de Castro (vice-presidente e presidente da APAF)


Pelas Jornadas de Fado que foram, “de forma regular e sistemática, um espaço de debate, passaram, entre outros, Gabriela Canavilhas, Mariza, Carlos do Carmo, Joaquim Pais de Brito, Paulo Valentim, José Manuel Osório, Maria de Lourdes Carvalho, Hugo Ribeira, David Ferreira, entre outros”.
A celebração da guitarra portuguesa “divulgou o trabalho de grande valia e sistematização do estudioso e músico José Lúcio Ribeiro de Almeida, e trouxe a Lisboa instrumentistas japoneses, entre eles Takashi Yuasa, que se dedica a este instrumento como profissional”.
“Ao fim de 20 anos, há de facto um trabalho que é de celebrar, tanto mais que nunca obtivemos quaisquer subsídios, nem de governo nem de nenhuma autarquia. Trabalhámos por nós, com os nossos recursos, e de uma forma determinada”, sentenciou.
Esta é uma das etapas do programa celebrativo dos 20 anos e, quanto ao futuro da associação, Julieta Estrela de Castro afirmou: “Seguramente deixamos um legado motivador que será revisitado por quem se interessar por estas temáticas”, mas também “há um desgaste de tantos anos a lutar contra ventos e marés”.
A sessão comemorativa realiza-se no domingo, às 17:00, no Museu do Fado, e conta com a participação de, entre outros, António Rocha, Bruno Igrejas e Jorge Morgado.

Foto: DR/FMS

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A proclamação do Cante Alentejano como Património Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, ocorreu exatamente três anos depois de ter atribuído a mesma distinção ao Fado. 

A 27 de novembro de 2011, na Nusa Dua, na ilha indonésia de Bali, ouviram-se palmas na sala e o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, colocou em alta voz uma gravação do fado Bailado “Estranha Forma de Vida”, por Amália Rodrigues, nome cimeiro desta canção.
A classificação do Fado como Património Cultural Imaterial incentivou edições discográficas, a recuperação de gravações históricas, a publicação de obras e um “interesse redobrado”, mas também há advertências, vindas em particular das casas de fado.
“Há um grande interesse a nível nacional. Noto uma multiplicação de contactos com o Museu [do Fado] no sentido de mais informação, de procura de materiais documentais, de livros e de exposições itinerantes, por parte de bibliotecas, escolas e centros culturais, de norte a sul do país”, disse à Lusa Sara Pereira, diretora do Museu do Fado.
O Fado tem, por outro lado, "aumentado significativamente” as exportações de discos, disse a diretora do Museu, que citou dados da associação Musica.pt, segundo os quais os CD de fado representaram uma aumento de mais de 50% relativamente a anos anteriores a 2011.

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 A discográfica Seven Muses, por exemplo, tem editado CD, nos quais recupera gravações históricas, anteriores à década de 1960, em que inclui um texto em português e inglês. Em dezembro, esta discográfica edita um livro intitulado “Fado”, de autoria de Samuel Lopes, em português e inglês, e que inclui quatro CD.

“Há uma enorme apetência por parte dos estrangeiros em querer conhecer o antes do fado que, atualmente, aplaudem nas diferentes salas”, disse Samuel Lopes.
Também a discográfica Valentim de Carvalho tem revisitado regularmente os seus arquivos e editado CD, o mais recente é um álbum com 41 fados interpretados por Amália Rodrigues, gravados entre 1951 e 1953.
No mês de outubro, a Fundação Manuel Simões editou a biografia do fadista Manuel Fernandes (1921-1994), que foi uma das figuras de referência das décadas de 1950 a 1970.
“O interesse pela história e as histórias do fado, levou-nos a recuperar gravações históricas do fadista realizadas no Estoril, e sentimos o interesse por parte dos consumidores de, além da voz, conhecerem a sua história de vida”, disse à à Lusa fonte da Fundação, citada pela Visão.
O musicólogo Rui Vieira Nery disse que “o reconhecimento do papel único do Fado na Cultura portuguesa é hoje cada vez mais incontestado”.
Em declarações à Lusa, Vieira Nery realçou que a distinção superou, “de uma vez por todas, os debates recorrentes sobre a legitimidade artística e a natureza política do género” musical.
O investigador Daniel Gouveia, autor da obra “Ao fado tudo se canta?”, afirmou que, com esta classificação, “a comunidade fadista se reconciliou com os estudiosos, académicos ou não, que vinham dedicando o seu esforço à investigação e sistematização de conhecimentos sobre o ‘seu mundo’”, acrescentou.
Na área performativa têm sido várias as vozes que têm surgido. Cite-se, por exemplo, a coleção “Discos do Povo”, que tem registado os diferentes nomes que vão surgindo, como Marta Rosa, Sérgio da Silva, Miguel Camões, entre mais de uma dezena de fadistas.
Daniel Gouveia referiu que as "jovens vozes emergentes são melodiosas, límpidas e afinadas, em rostos e corpos esteticamente atrativos”, mas adiantou também que, muitas vezes, lhes “falta grão, timbre, cor própria e fraseado musical exigidos pelo género”.

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Este é um dos fatores negativos apontados pelo investigador. Também os proprietários das casas de fados, algumas delas com mais de 50 anos de existência, fazem advertências e falam de “aproveitamentos” e “falta de atenção”.

“O problema – apontou Pedro Ramos, do restaurante típico Arcadas do Faia, em Lisboa -, é quando este tipo de distinções serve para se fazer um aproveitamento do fado que nada o beneficia, e então passamos a vulgarizar este património em hotéis, cafés para turistas, esplanadas e todo um conjunto de locais que nunca estiveram ligados ao fado”.
A preocupação do empresário está no risco de perda de identidade do ambiente fadista, que conjuga a tertúlia com a gastronomia e a música.
O poeta José Luís Gordo, proprietário do restaurante Senhor Vinho, também em Lisboa, exige “regras” e referiu que a “merecida classificação” do fado “descambou em oportunismos demasiado evidentes”.
“O fado merecia esta classificação, mas, ao mesmo tempo, que tivesse regras; (...) descambou em oportunismos demasiado evidentes, aos quais não devemos ficar indiferentes”, disse José Luís Gordo.
“O fado passou a fadistice, sem regras nem rumo certo, surge em tudo o que é canto, a maioria das casas onde é apresentado não tem o mínimo de condições para que seja apreciado como Património Imaterial da Humanidade, e não há qualquer atenção para os que há décadas têm lutado para manter viva e renovada esta tradição”.
“Como espaço de criação cultural e, ao mesmo tempo, de preservação, as casas de fado a funcionar há mais de 25 anos e com um elenco profissional, deviam haver um alívio da pesada carga fiscal”, sublinhou.
A candidatura do fado foi apresentada pela edilidade lisboeta, através do Museu do Fado, e contou entre outros, com o empenho dos musicólogos Salwa Castelo-Branco e Rui Vieira Nery.

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Foram seus embaixadores Mariza e Carlos do Carmo, uma escolha de Pedro Santana Lopes, quando estava à frente dos destinos da capital, e que iniciou o processo.

Três anos volvidos, a distinção continua a ser motivo de orgulho. Carlos do Carmo, que há uma semana recebeu um Grammy Latino de Carreira, reconheceu à Lusa, que, para esta distinção, também terá contribuído o seu empenho na candidatura.
A fadista Maria Amélia Proença, com 68 anos de carreira, que foi homenageada no dia 26 de novembro no Café Luso, em Lisboa, afirmou: “Apesar de alguns oportunismos, apareceu muita gente a cantar, esta distinção foi e é importante, quando comecei a cantar nunca tal imaginei, é um orgulho”.
“A distinção chamou a atenção para o nosso fado, não só pelo interesse em ouvir e escutar, como de conhecer esta expressão que sendo nossa é de todo o mundo, até porque os sentimentos que cantamos são universais”, disse.
Para a Associação Portuguesa dos Amigos do Fado (APAF), a celebrar 20 anos de existência, “o galardão chamou a atenção para uma área ainda hoje deficitária, a da investigação, do estudo e de um melhor conhecimento da história e das características”.
“Com este prémio, passou-se a valorizar e a cuidar mais desta canção com mais de 200 anos”, disse a presidente da APAF, Julieta Estrela de Castro.
O Museu do Fado mantém operacional a sua escola de guitarra portuguesa, orientada por António Parreira, e também de canto, em que os novos intérpretes, incluindo alguns estrangeiros, aprendem as melodias, os tons e as letras.
Uma das áreas em que o efeito da distinção se fez sentir foi a preocupação de revalorizar os espólios históricos de gravações, com as discográficas a revisitarem os seus arquivos, e outras a procurar recuperar gravações avulso, como a Seven Muses.
Esta discográfica tem trazido para o digital gravações mais ou menos conhecidas de vozes como Amália Rodrigues, Berta Cardoso, Tristão da Silva ou Manuel Fernandes, e de outras cuja presença rareia no ambiente digital como Natércia da Conceição, Vitalina Félix, José Moreira, Lina Maria Alves ou Isabel Oliveira.
Algumas das gravações de Amália Rodrigues foram recuperadas, e procuradas outras, como de ensaios em estúdio da fadista, ou as que fazem parte do duplo CD “Amália no Chiado”, editado pela Valentim de Carvalho esta semana.

Fotos: NACAL/DR/Coleção Partiocular/FMS

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