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Alfredo Marceneiro que cantava como rezasse, como o próprio fadista disse numa entrevista, inspira um texto do escritor Afonso Cruz pleno de subterfúgios, ironia, humor, crítica social e política, que conta uma história do fado mas que é a do nosso viver. Desde a luta pela liberdade nos tempos obscuros da Censura do Estado Novo à esperança da liberdade em que “as unhas arranhavam a estrelas”, passando pelos “tempos” que hoje vivemos, com um olhar crítico, magoado, triste, desapontado mas nunca sem esperança.

“Depois , Alfredo, veio a altura de diminuir”, assim se intitula projecto que é “levado à cena” por Tânia Alves, na Discoteca Amália, na rua do Ouro, nos dias 21 de junho às 11:30; 12:00 e 12:30; 26 às 17:30; 18:00 e 18:30; 27 às 17:30; 18:00 e 18:30, encerrando no dia 28, com apresentações às 11:30; 12:00 e 12:30.

 

 

A iniciativa intitulada “Teatro das Compras” é um projecto de criação de espectáculos em algumas lojas da baixa pombalina. Cada espetáculo tem a duração de cerca de 20 minutos, e além da Discoteca Amália aderiram á iniciativa, entre outras, a Chapelaria Azevedo Rua, o café Nicola, a Au Petit Peintre, Manuel Tavares Lda., Franco Gravador, a Ginjinha sem Rival, o Hospital das Bonecas, A Pérola do Rossio e a Retrosaria Bijou.

Todos estabelecimentos localizam-se entre o eixo Praça da Figueira/Rossio e a rua da Conceição. Além de Afonso Cruz, a outra autora escolhida é Joana Bértholo. Nas edições anteriores os autores participantes foram Gonçalo M. Tavares e José Luís Peixoto.

“Depois, Alfredo, veio a altura de diminuir” é interpretado de forma marcante e plena de intencionalidade por Tânia Alves que encarna uma fadista que dialoga com um disco de Alfredo Marceneiro, que além de intérprete é autora de variadas melodias fadistas como Fado Cravo, Bailarico, Pajem ou o Bailado.

Tudo começa pelas críticas de Marceneiro a Maria Alice e António Menano por terem aceitado gravar discos, o que, defendia o fadista, ia por todos a cantar da mesma maneira. Mas a conversa entre a fadista e Marceneiro, não fica neste debate sobre “a música congelada” e “os sulcos dos vinis que são fossos de orquestra”, abordando-se os tempos em liberdade em que uma simples palavra podia ter muitos ignificados, a necessária “subtileza”, para se fugir ao crivo censório do lápis azul. Fala-se da liberdade conquistada com o 25 de Abril de 1974, com os tanques nas ruas da baixa em que “surgiam cantores de todos os lados” mas não havia o necessário silêncio, como afirma a fadista habilmente criada por Afonso Cruz. Há ainda um tempo posterior, em que há só verdades, todos cantam, ou antes em cantam os que fazem dinheiro, isto é os que vendem.

 

 

 

 

Entre desabafos e uma perspicaz crítica dos tempos, Tânia Alves entoa um ou outro fado, como “Com que voz”, de Luís de Camões musicado por Alain Oulman, uma criação de Amália Rodrigues, “Fadista geme a tua desventura”, uma criação de Fernanda Maria e encerra a atuação com “É tão bom ser pequenino”, celebérrimo fado que Marceneiro gravou.

A figura esguia da atriz, a elegância natural e uma dição sem mácula ajudam a compor esta fadista alfacinha, filha de uma criada de hotel, que “ canta como fala” e mantém viva a esperança num mundo melhor.

A direcção artística é de Giacomo Scalesi, e além de Tânia Alves estão envolvidos neste projecto os atores André Amálio, Carla Galvão, Catarina Requeijo, Cristina carvalhal, Duarte Guimarães, Luís Godinho, Miguel Fragata, Pedro Gil, Raquel Castro e Tonan Quito.

Fotos: NACAL/FMS

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O investigador Joaquim Magalhães de Castro traça, na obra “Os filhos esquecidos do Império”, a genealogia dos descendentes dos portugueses que se aventuraram pelo Extremo-Oriente, nos séculos XVI e XVII, e cuja herança hoje persiste.

“Eram soldados-da-fortuna, os alevantados, os homens-que-queriam-ser-reis, os artilheiros de elite, todos aventureiros sem limites que, de Coromandel ao Pegu, da Tailândia ao Japão, alastraram em mapas virgens os contornos de ‘impérios-sombra’, expandiram os sonhos dos ‘negócios da China’ ou da fundação de um reino”, lê-se na introdução da obra, segundo A Visão.
O autor dá conta de uma carta de um governador de Goa ao Rei de Portugal, noticiando que, de 400 portugueses ali chegados, contava, ao fim de um ano, menos de uma dezena, pelo facto de muitos se terem aventurado pelas terras do Extremo-Oriente.
Outros portugueses deram a essas paragens devido aos “naufrágios ocorridos ao longo dos séculos XVI e XVII, num oceano notoriamente traiçoeiro”, escreve o autor.
Entre os vários naufrágios, Magalhães de Castro refere o registado em 1561, com a nau S. Paulo, próximo da Ilha do Engano, denominada atualmente como Pulau Enganno, e que faz parte do território da Indonésia, uma das costas que foi devastada em 2004 por um maremoto, que afetou e causou vítimas entre “achéns, javaneses, menancabos, bataques, bugis, chineses e luso-descendentes” que ali viviam em “pequenas cidades adormecidas”, escreve o investigador.
São três as principais regiões geográficas abordadas pela investigação de Magalhães de Castro: a Birmânia, atual República do Myanmar, a Indonésia e Malaca, Estado da Federação da Malásia.
A obra é também uma reflexão do escritor sobre atualidade político-social e económica dessas partes por onde se disseminaram os portugueses, registando traços lusíadas que ainda hoje persistem nas culturas locais.
“Nos arredores de Malaca estão ainda bem vivos os descendentes dos cavaleiros que, em 1511, com Afonso de Albuquerque, conquistaram esta importante praça-forte”, sustenta o autor.
No capítulo “Kristangs de Malaca”, Magalhães de Castro afirma que “resistentes como rochas, os herdeiros dos quarenta guerreiros que acompanharam Afonso de Albuquerque […] totalizam atualmente uns quantos milhares” que ostentam apelidos como Lázaro, Fernandes, Teixeira ou Sequeira, grafados à malaia.
Em Myanmar, região que foi conhecida como “terra dourada”, os portugueses foram pioneiros tendo participado nas disputas locais entre reinos e províncias rivais. Duarte Barbosa, que em 1501 rumou à Índia, “é, provavelmente, o primeiro europeu a mencionar a existência da Birmânia, nome dado na época ao Principado de Tangu e que constituía com Ava, Pegu e Arracão,“um dos mais importantes reinos da região”.
Nesta região, que corresponde ao atual Myanmar, os portugueses, em 1511, procuraram aliados contra o inimigo comum que eram os Estados muçulmanos, tendo até estabelecido uma feitoria, mas “as primeiras tentativas de missionação [católica] caíram em saco roto”.

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