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António Chaínho é homenageado no dia 31 de janeiro em Setúbal, num concerto que antecipa os 50 anos de carreira, que celebra no próximo ano.

“Na realidade, só faço 50 anos [de carreira] no próximo ano, pois vim da minha aldeia, S. Francisco da Serra, para Lisboa em finais do ano de 1965, para tocar no restaurante típico A Severa, no Bairro Alto”, disse à Lusa o músico.

A preparar os 50 anos, António Chaínho vai entrar em estúdio e editar, ainda este ano, um novo álbum, que contará com alguns convidados, a exemplo de anteriores como “LisGoa” e “A guitarra e outras mulheres”.

No Fórum Luísa Tódi, em Setúbal, na sexta-feira, às 21:30, além de António Chaínho, sobem ao palco Tiago Silva, na viola, que tem acompanhado com regularidade o guitarrista, Rui Silva, na viola baixo, e, como convidados especiais, o músico Rão Kyao e as cantoras Ana Vieira, Inês Pereira e Marta Dias.

“Setúbal é o meu distrito e, curiosamente, sempre mantive uma relação especial com a cidade e os fadistas, quando vim para Lisboa, das primeiras gravações que fiz com fadistas da cidade, nomeadamente a Odete de Jesus, o António Zeferino, Januário Martins, Anabela Silva e a Maria do Céu Crispim”, recordou.

Depois d’A Severa, onde acompanhou nomes como Lourenço de Oliveira, Alice Maria, Natércia da Conceição e Manuel Fernandes, “senhor de um estilo muito próprio, que cantava admiravelmente no fado menor ‘A Vassourinha’”, António Chaínho foi para Cascais, iniciar a casa O Picadeiro, “onde iam muitos fadistas de Setúbal”.

Desta primeira fase da sua carreira, como disse à Lusa, o músico sente saudades. “Ouvia aqueles nomes na rádio, lá na minha aldeia, e de repente ali estava eu a acompanhá-los, Tony de Matos, a Lucília do Carmo e o filho, o Carlos [do Carmo], Teresa Tarouca, António Mourão, Tristão da Silva, Ada de Castro… Eram todos grandes vedetas, e eu, na véspera, nem dormia pelo nervosismo, sentia um frio no estômago”, contou.

Em Cascais abriu ainda uma outra casa, o Forte D. Rodrigo, com o fadista Rodrigo, e que contava no seu elenco com nomes como Manuel de Almeida e Ivone Ribeiro.

Em finais da década de 1970, o músico situa a segunda fase da sua carreira, quando começou a preocupar-se com a necessidade de um curso de guitarra portuguesa para novos instrumentistas, que viria a concretizar décadas depois, com a abertura do ensino de guitarra portuguesa no Museu do Fado, em Lisboa, e, em 2005, numa escola em Santiago do Cacém, o seu concelho natal.

“Comecei a concentrar-me mais na composição e reduzi os acompanhamentos, restringindo-me praticamente ao Carlos do Carmo, ao Frei Hermano da Câmara e, mais tarde, a Rão Kyao, com o qual gravei o álbum ‘Fado Bailado’, em 1983”, disse.

A terceira fase “começou há 23/24 anos quando me lancei sozinho, em recitais, e a dedicar-me com mais afinco à composição, convidando algumas vozes, como aconteceu com o álbum ‘A Guitarra e outras mulheres’”.

No palco sadino, como o músico disse à Lusa, irá passar em revista uma carreira de quase meio século, com composições de sua autoria como "Voando sobre o Alentejo".

A carreira de António Chaínho conta com sete álbuns editados em nome próprio e um DVD, “Ao vivo no CCB”, e com a partilha de interpretações com nomes como Fernando Alvim, que foi viola de Carlos Paredes durante mais de 25 anos, Gal Costa, Fafá de Belém, María Dolores Pradera, José Carreras, Adriana Calcanhotto, Saki Kubota, Elba Ramalho, Sonia Shirsat, Remo Fernandes e Nina Miranda, entre outros.

 

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A obra "Judeus ilustres de Portugal", de Miriam Assor, reúne 14 biografias de personalidades de "intrepidez excecional", que dignificaram "o país na foz do mundo". Para Miriam Assor, é "essencial que a memória não seja sepultada - quando se escreve fala-se das pessoas, passa-se testemunho, é como mar que não se fecha".

"Sinto que a memória deve ser preservada, e não só com o velho ‘slogan’ 'Holocasuto nunca mais'; isto a mim não me diz nada, é preciso esgrimir [para que não se repita], é preciso não esquecer o que houve para trás e construir o que aí vem", declarou à Lusa.

A galeria das 14 personalidades integra nomes como Garcia de Orta, Amado Lusitano e os "corajosos irmãos gémeos" Joel e Samuel Sequerra, que salvaram "cerca de mil foragidos da malvadez nazi".

O "esplendoroso conhecimento" destes 14 nomes "honrou e dignificou" o país, mas "há muitas mais personalidades judias de idêntico destaque", disse a autora, que não descarta a possibilidade de uma nova obra com outras figuras.

Entre os escolhidos estão Isaac Aboab da Fonseca, o rabino e poeta de Amesterdão, Moses Bensabat Amzalak, senhor de "um currículo impressionante", que foi presidente da Academia de Ciências de Lisboa, e que ajudou no acolhimento aos refugiados em Portugal durante a II Guerra Mundial, Isaac Cardoso, médico de Filipe IV de Espanha, e Grácia Naci, uma mulher do século XVI "que esteve à frente do seu tempo", e da qual se conta só "uma pequena história".

A obra, prefaciada por Miguel Esteves Cardoso, inclui ainda o matemático Pedro Nunes, o compositor e editor Alain Oulman, a bióloga Matilde Bensaúde e seu pai, Alfredo Bensaúde, que foi o primeiro diretor do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, e um homem muito ligado à I República.

"A ideia do livro partiu da editora, que inicialmente me desafiou a escrever uma obra de ficção”, disse Assor. Mas como não sabe se algum dia terá “coragem para o fazer”, optou pelo ensaio.

Para a autora, "foi gratificante" ter escrito esta obra, "porque se aprende, porque se tem de ler, investigar e falar com quem sabe, para depois arquitetar e construir os textos com o saber que se tem de novo".

"Tudo o que aqui está escrito, está documentado", salientou Assor, que contou com a sua experiência, já que conheceu e conviveu com alguns dos biografados, e também com testemunhos de pessoas que os conheceram.

"O filho do Alain Oulman, o Nicholas, é vivo. Falei com o cunhado dos Sequerra, que eu aliás conheci. O filho do Sam Levy está vivo e foi também alguém que conheci. Relativamente a Alfredo Bensaúde e à sua filha Matilde Bensaúde, há muita gente viva dessa época", disse.

Entre os 14 está também o pai da autora, o rabino Abraham Assor, que, de 1941 a 1993, dirigiu a Comunidade Israelita de Lisboa (CIL), uma ação que "teve reflexos fora dela, tendo estabelecido as primeiras boas relações entre um rabino e um cardeal, designadamente o patriarca de Lisboa, António Ribeiro, de quem era amigo antes de assumirem funções de liderança religiosa, mas também com a comunidade islâmica", disse.

"A forma como a CIL se moldou deve-se muito a ele, e o rabino está no livro, não porque é o meu pai, mas porque é o 'rabino Assor'. Nem me cabia bem propor o seu nome", sublinhou.

Para autora, escrever sobre o pai, de quem já compilara alguns discursos em "Luz: textos e documentos" (2001), foi "muito complicado".

Samuel e Joel Sequerra, que a autora ainda conheceu, "não contavam a sua história de salvamento dos judeus em Espanha, pois tinham um certo pudor, a sua história era muito contada no Brasil".

Sam Levy, outra personalidade com a qual conviveu, "terá sido o primeiro sefardita [judeu de origem ibérica] a readquirir a cidadania dos seus antepassados, quando chegou a Lisboa na década de 1940".

"Em Sam Levy, o que me fascinou foi a coragem, o humor e a forma extraordinária como tornava a cultura simples, não só a judaica - mesclava a cultura no quotidiano, era uma pessoa dentro dos círculos intelectuais, era um residente, tinha um doutoramento na mestria da vida", disse.

"Alain Oulman não cumpria os preceitos, não ia ao templo, mas era um judeu, filho de mãe judia, tal como o antigo Presidente da República Jorge Sampaio e, segundo a nossa tradição, filho de mãe judia é judeu", esclareceu Miriam Assor, para quem, além de compositor que "revolucionou o fado", através da voz de Amália Rodrigues, Oulman foi um importante editor livreiro.

A autora na introdução à obra salienta que apesar da “vil perseguição” aos judeus, após o édito de 1496 de D. Manuel I, mas sublinha que “o fogo [da Inquisição] nunca derreteu a linfa do Judaísmo” em Portugal, e muitos “conservaram ocultamente a identidade religiosa”.

A extinção formal da Inquisição em Portugal, em 1821, permitiu o regresso de muitos judeus, nomeadamente oriundos de Marrocos e Gibraltar.

A autora levou cerca de um ano a investigar e escrever esta obra. "Durante esse tempo vivi intensamente com estas pessoas até que entreguei a obra às editora e deixaram de estar aqui, comigo, e alguma coisa de nós já foi também", rematou.

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