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O mais internacional dos compositores portugueses de música ligeira, Frederico Valério, é celebrado dia 21 de novembro no Museu do Fado, num tertúlia orientada pelo guitarrista José Pracana.

Na tertúlia no Museu às 19:00, “prestar-se-á tributo ao compositor e recordar-se-ão os temas mais marcantes da sua carreira”.

Além de José Pracana, de 67 anos, participam também Carolina, João Nunes e Dinis Raposo, segundo comunicado daquela instituição.

Frederico Valério (1913-1982), autor de fados como “Ai, Mouraria”,alcançou sucesso na Broadway, em Nova Iorque, em Paris e no Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro, onde se deslocou acompanhando Amália Rodrigues, fez sucesso com a opereta “Rosa Cantadeira” e é em terras sul-americanas que criou êxitos como “Fado Carioca” ou "Fado Xuxu" e “Ai, Mouraria”, que a fadista interpretou durante toda a sua carreira de mais de 50 anos, e foi logo gravado pela brasileira Ângela Maria.

“Don’t say good bye”, a versão norte-americana da canção “Partir, Partir”, atingiu o 1.º lugar da Hit Parade em 1938 e, na temporada de 1953/54, o compositor alcançou sucesso de crítica e público com o musical “In with the show”, com o dramaturgo Frank O’Neil, que esteve em cartaz no Mark Hellinger Theatre, na Broadway, noticia o Diário Digital.

Em 1959, conquistou Paris com “Les cloches de Lisbonne” na voz de Gloria Lasso, versão gaulesa do “Fado Madragoa”, criado por Deolinda Rodrigues, no filme “Madragoa”, de Perdigão Queiroga, estreado em 1952.

Frederico Valério começou a compor para o teatro de revista na década de 1930, depois de ter estudado com Pedro Blanch e Tomás Borba, na Academia dos Amadores de Música, e no Conservatório Nacional, com o professor de piano Flaviano Rodrigues.

A revista “A Feira da Alegria” marcou a sua estreia, fazendo parceria com dois outros nomes granmde da composição Raul Ferrão e Raul Portela, em 1933. Dois anos mais tarde surgiu o seu primeiro êxito, “Carvoeiras”, por Maria das Neves, saído da revista “Milho-Rei”.

Com uma média de quatro a cinco espetáculos por ano, entre musicais, operetas e revistas, em 1940 alcançou grande êxito com “Meu amor é do mar”, interpretado por Irene Izidro, na revista “Toma lá cerejas”. Nesta década conhece Amália Rodrigues, estrela em ascensão, recém-chegada aos palcos.

“Valério puxou por mim, levou-me mais além, ele achava que a minha voz era capaz de tons mais altos, de ir mais além, e conseguia convencer-me e ia de facto”, disse Amália Rodrigues, numa entrevista.

A Vítor Pavão dos Santos, na obra “Amália (Uma Biografia)”, a fadista recordou esse tempo inicial da carreira e afirmou: “A existência do Valério, quando eu estava a começar a cantar, foi formidável. Tinha um tipo de melodia que era para a minha voz. Conhecia muito bem a minha voz e escrevia para mim, para toda a gama da minha voz”.

A primeira composição que escreveu para a voz da fadista foi “Maria da Cruz”, com letra de Amadeu do Vale, que, segundo o Diário de Notícias, foi tal o êxito que a obrigou a “trisar” na estreia da revista.

“Boa Nova”, “Amor, sou tua”, “Fado Malhoa”, “Não sei porque te foste embora”, “Fado do Ciúme” e “Fado Amália” são alguns dos sucessos que compôs para a fadista.

Em 1951 dirigiu o espetáculo de abertura do Teatro Monumental, em Lisboa, “As três valsas”, protagonizado por Laura Alves, João Villaret, Tomás Alcaide e Teresa Nunes, cujo sucesso “foi imediato”, escreveu o Diário de Notícias.

Depois do êxito em Nova Iorque, Valério regressou a Lisboa em 1955 e dedicou-se exclusivamente à composição para teatro musicado, cinema e televisão, tendo composto para, entre outras, as vozes de Maria Pereira, “Primeiro Amor”, Simone de Oliveira, “Esta Lisboa que eu amo”, e Helena Tavares, “Na rua dos meus ciúmes”.

Na década de 1970, continuou a fazer parcerias no teatro de revista e a compor êxitos populares como “Falta aqui uma ceifeira” e “O nosso fado mudou”, na revista “Até parece mentira”, estreada em 1974, numa interpretação de Cidália Moreira.

A última revista em que integrou a equipa de criadores, foi “Ó patego, olha o balão”, em 1980, no Teatro Maria Vitória, que o homenageia na revista atualmente em cena, “Lisboa amor-perfeito”.


Foto: Museu do Fado

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