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O Rancho dos Cantadores de Aldeia Nova de São Bento editou um CD de Cante Alentejano, com vários convidados. O rancho é “um dos mais antigos do Alentejo”, segundo a discográfica e, para esta edição comemorativa do Cante como Património Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, foram convidados, Luísa Sobral, António Zambujo, Miguel Araújo, Jorge Benvinda e Pedro Mestre.

Criado em 1986, o Rancho dos Cantadores de Aldeia Nova de São Bento “é herdeiro de uma longa tradição da arte de bem cantar as belas modas do cancioneiro alentejano”, afirma a Universal Music, que chancela o CD.
Os cantadores da Aldeia Nova de S. Bento estão “orgulhosos por seguirem dois princípios orientadores, que, apesar de opostos, se complementam: o da tradição e o da inovação”, segundo a mesma fonte.
António Zambujo, natural de Beja e um dos artistas que assume a influência do Cante Alentejano na sua criação musical, foi o produtor do álbum, com o músico Ricardo Cruz.
Num texto que acompanha a edição, assinado por David Manuel Monge da Silva, Vila Nova de S. Bento, no Baixo Alentejo, “de há muito [é] reconhecida na região como uma ‘terra de bons cantadores’".
Os cantadores de Vila Nova de S. Bento, segundo Monge da Silva, “são continuadores de uma antiga tradição que teria surgido na agricultura, quando grupos de homens e mulheres, trabalhando de sol a sol, humanizavam a sua faina entoando, em conjunto, as belas modas do cancioneiro alentejano”.
“Cantavam não só a dureza da vida mas também a beleza da natureza que os envolvia, as plantas e os animais que os rodeavam e os amores e desamores que viviam”, explica Monge da Silva.
Entretanto, com o desaparecimento da agricultura extensiva, na segunda metade do século XX, “o cante perdeu o seu cenário natural e os seus protagonistas começaram a emigrar”. Entre 1950 e 1970), Aldeia Nova perdeu quase dois mil habitantes e, até ao presente, mais 1.500, segundo dados revelado pelo investigador.
Todavia, “o cante adaptou-se a esta nova situação, tornou-se outro, cantando uma realidade que já não existia, passando assim de vivencial a evocativo e subsistindo, sobretudo, no local onde os homens se juntavam: a taberna, tornou-se então só masculino, já que este espaço estava vedado às mulheres”. E foi numa taberna que nasceu este grupo coral, tornando-se o herdeiro natural do Grupo Coral da Casa do Povo de Aldeia Nova de São Bento, que teve uma existência efémera e atuações pouco regulares
Referindo-se à sua fidelidade à tradição, o investigador afirma que “exige o conhecimento e a pesquisa de como se cantava, que modas, que cantigas, como se começava e se fazia o ‘alto’”, e o Rancho de Cantadores “tem seguido este caminho denodadamente”.
Outro eixo de orientação é o da inovação, que “exige que se experimentem coisas novas como modas de autor, como a do ‘Chapéu’, cantar com orquestra, a de Córdova, a Sinfonieta de Lisboa, e outras, e com instrumentos - a viola campaniça, acordeão ou guitarra -, com o Coro do Teatro Nacional de S. Carlos e com outros cantores”, como sucede neste CD.
O Rancho tem cantado também com outros nomes, designadamente, Quatro ao Sul, Navegante e José Barros, Ana Moura e a Ronda dos Quatro Caminhos, entre outros.
“O grupo também tem seguido este caminho sempre cantando bem e no respeito pela tradição”, atesta Monge da Silva.
O Rancho de Cantadores já levou o Cante Alentejano além-fronteiras, tendo atuado no Brasil, Estados Unidos, Macau, Alemanha, e pela Bélgica, e por cá subiram aos palcos do Centro Cultural de Belém, dos Coliseus de Lisboa e do Porto, da Culturgest e do Teatro Nacional de São Carlos, e cantaram ainda nos Palácios de Belém e de São Bento, na Sé de Lisboa e no Convento de Mafra.
“Este novo CD retrata, de uma maneira exemplar, o seu percurso, os seus princípios e valores e, sobretudo, a qualidade dos seus intérpretes em que, para além da excelência dos seus ‘pontos’ e ‘altos’, sobressai a coesão e a força coletiva dos seus ‘baixos’ em que a voz de cada um se funde humildemente na unidade do grupo”, remata o investigador.

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A exposição “Um Olhar Real. A Obra Artística da Rainha D. Maria Pia. Desenho, Aguarela e Fotografia” patente na galeria D. Luís, no Palácio da Ajuda, revela “uma faceta menos conhecida da soberana”.

O diretor do Palácio Nacional da Ajuda (PNA), José Alberto Ribeiro, afirmou â agência Lusa que a exposição surge no âmbito de uma política sua, que é “mostrar o acervo do Palácio Nacional da Ajuda e dos seus interiores decorativos”, cita o Notícias ao Minuto.
Referindo-se aos dotes artísticos de S.M. a Rainha Maria Pia, o diretor do PNA, afirmou que, em algumas obras, a qualidade demonstrada é “surpreendente”.
Na Família Real portuguesa, pelo menos desde o casal régio D. Maria II e D. Fernando, “todos estavam de alguma forma ligados a uma prática artística” e, no caso de D. Maria Pia, a princesa já tinha estudado aguarela e desenho em Itália [o seu país natal]”.
Quando D. Maria Pia “vem para Portugal [em finais de 1862] e inserida numa família em que se faz essa aprendizagem crescente, a Rainha, quer acompanhada pelo marido [Rei D. Luís], quer, mais tarde, pelo pintor da corte, Enrique Casanova, vai desenvolvendo sempre essa prática do desenho e da aguarela”, disse José Alberto Ribeiro.
Quanto ao espólio apresentado, José Alberto Ribeiro afirmou que “é muito heterogénea a obra da Rainha, com uma qualidade, em algumas [das obras], surpreendente, em que se percebe que vai desenvolvendo o seu sentido estético e artístico, e que estendeu mais tarde este mesmo gosto de aprendizagem à fotografia”.
“Notamos nas suas obras uma abordagem e uma sensibilidade numa prática muito ligada à pintura e ao desenho ao ar livre, sendo que era muito atualizada pelas revistas e os livros que lia”.
Em exposição estão obras desde o início dos estudos artísticos da Rainha, que chegou a Portugal, casada por procuração, com quase 15 anos, até finais do século XIX. A Rainha D. Maria Pia morreu em Turim, em 1911, aos 63 anos.
Refira-se, realçou José Alberto Ribeiro, que a soberana “nunca deixou de pintar até ao final da vida”.
A exposição divide-se em dez núcleos, desde “influências e aprendizagem”, até a um dedicado ao Palácio da Ajuda, que “é um motivo de exercício constante para esta monarca”, passando por outros como “as obras em Itália, enquanto Princesa de Saboia”, “atração pela natureza e a paisagem”, em que se pode identificar a rainha na corrente estética do pré-naturalismo, “as vistas de mar e terra” e “trechos urbanos e monumentais”, além das fotografias.
Na coleção da fotografia, “há os registos de compras das máquinas fotográficas, em Paris, ao estúdio Nadar, livros de revelação fotográfica, e sabemos hoje que havia uma câmara escura no palácio da Ajuda, o que são absolutas novidades”.
“A Rainha guardava junto, as fotografias, desenhos e aguarelas do mesmo local, o que nos permite uma comparação”.
Os trabalhos expostos mostram tipos humanos, como uma cigana que se escolheu para o cartaz da exposição, e várias personagens da corte, mas também trechos das praias da Ursa, da Adraga ou das Maçãs, nos arredores de Lisboa, da vila de Cascais, do Monte Estoril, onde a soberana teve um 'chalet', e ainda de Sintra e Mafra, “fruto dos seus passeios”.
“Há um desenho curioso do Rei D. Carlos, que retrata a mãe com uma prancha de desenho, a desenhar numa mata e com o pintor Enrique Casanova ao lado, percebe-se que havia excursões/incursões da Família Real na paisagem para desenhar”, afirmou o diretor do PNA.
"Álbuns de desenho e estojos de pintura, bem como álbuns de desenho, pontuam cada uma das salas, assim como herbários constituídos pela Rainha, ainda quando solteira".
O responsável chamou ainda à atenção para a “documentação inédita” que é revelada no catálogo da exposição, uma parceria editorial do PNA com o Imprensa Nacional-Casa da Moeda, e “que propõe um olhar diferente sobre a rainha, que ficou muito denegrida pela propaganda republicana”, disse o autor, que sublinhou “o sentido de Estado” de Maria Pia, que “teve um papel relevante na área diplomática, na defesa dos interesses de Portugal”.
A exposição, na galeria D. Luís do Palácio da Ajuda, em Lisboa, está aberta ao público até 21 de abril.

Foto:PNA/DGPC/FMS

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